segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Lenda de Tir na nÓg - Conto Celta

A Lenda de Tir na nÓg - Conto Celta


A lenda de Tir Na nOg, relata uma história conhecida de todos os que se interessam por mitologia e lendas do passado e não são poucos os que desejariam haver um fundo de verdade na existência desta terra mágica. A busca da eterna juventude sempre foi algo que o Homem perseguiu ao longo dos tempos e lendas como esta continuam a [...]

Tir Na nOg era uma terra encantada, onde vivia um povo de enorme beleza, os Tuatha De Danann. De acordo com a mitologia Celta, os Tuatha De Danann pertenciam à
última geração de deuses que reinavam na Irlanda e eram possuidores de grande poder mágico, como de grande habilidade em todas as artes.

Depois de terem sido derrotados em batalha, foi lhes oferecido o subsolo da Irlanda para viverem. Eventualmente alguns terão aceitado, dando origem aos elementais
da terra, mas outros terão viajado para Tir Na nOg onde se terão estabelecido.

A história de Tir Na nOg está intimamente ligada à história de Oisin, um dos maiores, heróis e poetas, da antiga Irlanda. Oisin era filho de Fionn MacCumhail e tornou-se membro do lendário grupo de heróis chamado de Fianna. Os Fianna possuíam grande coragem, força e destreza, tanto para as artes de guerra como para simples caça. Viviam também sob um código moral de valores muito elevados.

Um dia, estavam os Fianna à caça, quando foram abordados por uma mulher de enorme beleza que montava um cavalo branco de imponente porte.


Inquirida por Fionn sobre quem era, de onde vinha e o que queria daquelas paragens, apresentou-se como Niamh do Cabelo Dourado, uma Tuatha De Danann e filha de Manannan, deus do mar e rei de Tir Na nOg e que tinha vindo até terras da Irlanda para encontrar o grande herói e poeta de nome Oisin, homem que ela tinha escolhido para esposo.

Até aquele momento, Oisin não tinha conseguido sair do transe que a beleza daquela mulher o tinha colocado, mas ao ouvir o seu nome pareceu despertar.
Aproximando-se dela, perguntou-lhe que tipo de terra era Tir Na nOg.

Niamh descreveu a sua terra como uma terra encantada, onde ninguém envelhecia ou adoecia, uma terra onde todos os desejos se realizavam.

Sem hesitar, Oisin despediu-se do pai e dos amigos e pulou para a garupa do cavalo da sua amada Niamh. Num último aceno, prometeu voltar um dia.

Os Fianna viram com assombro aquele cavalo galopar sobre as ondas em direcção Oeste, levando consigo o seu heróis Oisin. Fionn sossegou-se, lembrando que Oisin tinha prometido voltar.

Como ninguém adoecia ou envelhecia em Tir Na nOg, Oisin passou lá 300 anos sem que tivesse sentido o passar do tempo. Ele e a sua amada Niamh tinham um vida perfeita, toda ela cheia de amor e felicidade.Mas nem aquela terra encantada poderia banir dele as memórias do passado e começou a sentir enormes saudades, da sua terra, do seu pai e dos seus amigos.





Niamh entendeu esta necessidade de voltar à terra dos mortais e cedeu-lhe um cavalo mágico para que ele pudesse matar as saudades que sentia. No entanto avisou-o de que em momento algum poderia pisar o solo que o tinha visto nascer. Se o fizesse, ele nunca poderia voltar a Tir Na nOg.

Oisin chegou à sua Irlanda para constatar que tinham passado 300 anos e que Fionn e os seus homens há muito que tinha morrido, sendo agora alimento para muitas das lendas e canções que fervilhavam por aquela terra.

Não encontrando o que procurava, Oisin decidiu voltar para Tir Na nOg e para os braços da sua amada Niamh.

No caminho de regresso, deparou-se com alguns homens tentando mover uma enorme e pesada rocha e inclinou-se no cavalo para os ajudar. Foi quando a tragédia aconteceu. Escorregou da sela e caiu em terra mortal, transformando-se de imediato num homem muito velho e cego.

Durante muitos anos, Oisin percorreu as terras da Irlanda até que um dia encontrou S.Patrício que o levou para casa e o tentou converter ao Cristianismo. Oisin falou-lhe sobre os Fianna, sobre os guerreiros da antiga Irlanda e sobre Tir Na nOg.

Oisin morreu logo depois, sem nunca ter voltado a ver Tir Na nOg, nem a sua Niamh e sem nunca saber que para o não prender, Niamh não lhe tinha contado que iria ser pai.
Assim termina a história de Tir Na nOg, ensinando-nos que a eterna juventude á coisa para fadas e não para mortais, mas isso nunca nos impedirá de sonhar.

A Deusa Morrigan.


Imaginem uma mulher extremamente alta, cabelos castanhos escuros longos até a cintura que serviam como uma espécie de ´´capa´´ sobre os ombros, olhos penetrantes tão negros como a noite, pele branca quase translúcida e corpo de músculos bem delineados que não deixavam de revelar encantos femininos sem par e fazer qualquer um pensar nos prazeres carnais que ela poderia oferecer.

Agora não se deixem enganar por sua bela aparência, pois detrás delas há uma guerreira implacável, caçadora das mais hábeis, mestra no manuseio de qualquer arma e invencível no combate por sua força descomunal e invulnerabilidade.

Aliás, em qualquer batalha, seja entre deuses ou mortais, lá estava ela liderando tropas com um grito de guerra tão alto quanto o de dez mil homens e plenamente armada até os dentes onde se destacava em sua indumentária de combate as duas lanças da mais pura prata que carregava nas mãos ( quando lançadas capazes de partir ao meio o avanço de um exército inimigo e destroçar em pedaços quem estivesse mais próximo )

Ela também tinha poderes mágicos como o de cegar os inimigos jogando sobre o campo de batalha uma névoa penetrante bem como também dotada do dom de mudar sua forma humana para de um corvo carniceiro, lobo ou mesmo de uma anciã de aparência bem inocente. Conhecendo bem tanto o poder curativo das ervas e raízes quanto a maneira de usa-las como um veneno mortal.

Esta em poucas palavras é a descrição de Morrigan, cujo o nome em gaélico significa ´´Grande Rainha´´, deusa celta da guerra. Ao seu lado, seguindo-a para todo lado como um séquito de uma rainha, haviam as suas não menos importantes irmãs : Fea ( chamada de ´´ a Odiosa ´´ ), Nemon ( conhecida também popularmente como ´´ a Venenosa ´´ ) , Badh ( atendendendo pelo apelido sugestivo de ´´a Fúria´´ ) e Macha.

Nemon e Fea eram ambas esposas do famoso Nuada da Mão de Prata, um dos reis dos Tuatha Dé Danann (Povo da Deusa Danu) que em combate com Sreng dos Fir Bolgs ( antigos habitantes da Irlanda e tribo aliada dos Fomorianos ) teve a mão decepada e depois substituida por uma mão de prata feita através das incriveis habilidades de Diancecht ( deus gaélico da medicina )até ser restituida por Miach e Airmid ( filhos de Diancecht ) Em poder se comparavam juntas a força de Morrigan.

Macha regia os pilares nos quais eram empaladas as cabeças dos guerreiros mortos em combate para qual eram feitos pelos celtas o culto da cabeça na idéia de ser assim capaz de capturar o espírito dos inimigos. Diziam que Macha vivia a cantar nos campos de batalha, com uma voz bela e magnética que tinha o poder de enfeitiçar os inimigos e leva-los a loucura ao ponto de cometerem o suicidio

Por sua vez, Badh vinha com suas irmãs para animar os combatentes dos quais estavam ao seu lado na batalha para assim inspira-los a ficarem cada vez mais ferozes , afastando o medo da morte do coração e o receio da derrota. Era individualmente a irmã mais próxima no contato com Morrigan, atuando como sua conselheira e confidente.

Curiosamente a Grande Rainha , sempre vitoriosa no combate, acabou pelo amor não correspondido de Cuchulainn ( uma espécie de semi-deus e herói celta ao estilo de Hércules dos gregos ) sendo atingida de uma forma mais dolorosa do que em qualquer ferimento obtido em batalha. Assim, ironicamente, o Amor foi a arma que finalmente derrotou a invencível Morrigan !

vamos falar um pouco da cultura celta esses dias. aproveitem!!!!!


As lendas mais antigas dão conta que num distante dia primaveril dois sóis despontaram no horizonte para iluminar o mundo. Um deles era o velho Astro-Rei que como sempre emergiu do Leste para iniciar sua caminhada costumeira pelo céu até encontrar seu descanso no Oeste, enquanto o outro anunciava o nascimento de uma filha dos Tuatha Dé Danann.

Como fosse uma revelação do que seria o destino daquela menina no mundo e marca de sua força a casa onde nasceu ardeu até alcançar o céu numa chama de brilho imperecível nunca desfeita em pó , competindo em pé de igualdade com a luz do Sol durante o dia e até mesmo vencendo as trevas na noite .

Os que presenciaram o nascimento deste bebê de mística beleza puderam relatar de que no lugar de cabelos saiam de sua cabeça um pilar de fogo perpétuo solidificado em uma massa pétrea de cor vibrante que era como uma coroa de rubis a enfeitar ainda mais a face daquela criatura de ares sobrenaturais. Ela foi chamada de Brigindo pelos gauleses, Brigantia pelos britânicos e Brigith pelos gaélicos, sendo consagrada o seu culto pelos celtas principalmente como deusa do fogo.

Contudo, não era apenas fogo como elemento físico que representava arquetipicamente a imagem daquela divindade na medida em que os celtas tinham uma interpretação toda peculiar a respeito dos elementos da natureza. Assim, por exemplo, encaravam o fogo como uma energia espiritual latente a todas as coisas e inerente a certos processos cognitivos do intelecto humano bem como também a alguns estados emocionais como paixão, caridade, amor e etc . Nesta perspectiva , não por outra razão Brigith como ´´deusa do fogo´´ era vista também como uma espécie de patrona das Artes e da Poesia.